29.5.13

Bem vindo (a) à Serra do Cipó

Fala galera!

Devido a problemas técnicos (falta de luz no Cipó), a Nath teve um pequeno atraso para conseguir me enviar a sua coluna, mas sem mais delongas aqui está sua primeira coluna!

Só lembrando que a coluna dela é toda segunda feira!

Abraços e boas escaladas!

Bem vindo (a) à Serra do Cipó


Distrito do município de Santana do Riacho, a cerca de 100km da capital mineira, a Serra do Cipó é a princesinha de muitos escaladores, conhecida internacionalmente por seu potencial ‘escaladorístico’ realmente surpreendente. O Cipó é um vilarejo resumido a 1km de uma rodovia estadual mineira, a MG 010. O fervo da Serra começa no km 97 e vai até o 98, literalmente. Os nativos daqui dão pouca ou nenhuma bola para a escalada, mas todo mundo sabe onde ‘os moço sobe nas pedra’- que é basicamente em 3 lugares, em ordem de popularidade: grupo 3 (G3), G1 e Vale de Blair. Ao G3 unem-se o que podemos chamar de subsetores, como Perseguida, Cangaço, PCC, Foda, etc.

Panorâmica dos Setores - Fonte: Facebook


Posso não escalar muito mas sei ouvir história...
... e o nome que corre fácil pela boca de quem fala dos primórdios da escalada cipoeira é o de Luis Pita, que descobriu esse paraíso de pedra lá pelos idos dos anos 90 e aqui abriu vias que são repetidas incansavelmente, semana a semana, por quem procura dificuldade e novidade.

Panorâmica da Sala de Justiça

São mais de 200 vias em um aglomerado de pedra, que costumam deixar muita gente apaixonada e também boquiaberta pela qualidade, textura e estética do lugar. Aqui a pedra é o famoso calcário, bem macio - tanto que às vezes é necessário ter cuidado ao escovar a pedra pra tirar os restos de magnésio, pra não desgastar demais a agarra – se não me engano, é só no Cipó que se escala esse tipo de rocha no Brasil. Há esportivas curtas, médias, longas, vias em móvel, quintos (poucos), sextos, e aí o mar de sétimos, oitavos, nonos e até décimos graus, uma ao lado da outra, uma mais diferente que a outra. O forte do Cipó são as vias clássicas, feitas por muita gente cascuda até hoje, cujas cadenas enriquecem o currículo de qualquer escalador de forma muito especial.

Via Sinos de Aldebaran

Muitos tentam, muitos investem, batalham e conquistam seus sonhos em vias de muito nome, como a Sinos de Aldebaran, Heróis da Resistência, Calada da Noite, Lamúrias de um Viciado, Jonny Quest, Festinha de Criança, Ética, Especialidade da Casa, Cheetara, Bárbaros e muitas outras. Feliz ou infelizmente, o Cipó não é pra qualquer um (não sem treino, claro) – dizem que os graus daqui são únicos e que quem escala no Cipó, escala em qualquer lugar. É uma escalada exigente, com poucas possibilidades para quem não entrou nos sétimos ainda. Algumas vias tem a capacidade de colocar o escalador no lugar dele, caso ainda esteja ‘crescendo’ demais achando que está escalando muito.


Em compensação, vira um parâmetro – o cara passa o feriado ou o mês, a cadena não sai, ele volta pra casa com a promessa de treinar muito mais, vir aqui e mandar. Que seja longe, que seja difícil chegar... mas os projetos cipoeiros nunca são abandonados. Ter um projeto no Cipó te insere dentro de um contexto de estar dentro da história da escalada brasileira, iniciada aqui há quase 20 anos. Quanta gente famosa e anônima no esporte já pisou a trilha do G3 (infestada de carrapatos minúsculos nessa época)? “Dia desses” mesmo a Janine Cardoso mandou a via Super Heróis, que é a continuação da classicona Heróis da Resistência – e haja resistência mesmo, porque a Heróis é um nono exigente, e emenda com a Super, que dá um décimo, depois de muitos metros de mordidas ferozes na pedra. Definitivamente, não é pra qualquer um.